segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

Sistema BRT ainda depende de licitação para terminais

12/12/2016 - Jornal do Comércio

Avenida Protásio Alves é uma das vias contempladas pelo projeto
Avenida Protásio Alves é uma das vias contempladas pelo projeto
JONATHAN HECKLER/JC

Suzy Scarton

Quatro anos após o início das obras, ainda há necessidade de uma licitação para os terminais do sistema BRT (Bus Rapid Transit) em Porto Alegre. No começo do ano, a Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) já havia admitido que não teria como concluir a implantação até o fim da gestão do prefeito José Fortunati. Ficará a cargo do prefeito eleito Nelson Marchezan Júnior a decisão de dar continuidade ao projeto.

Segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, a troca do pavimento asfáltico por placas de concreto já foi concluída. No entanto, a implantação dos cinco terminais de integração não ocorreu da forma como era esperada. "Contratamos um escritório, que realizou parte do projeto, e houve quebra de contrato. Ocorreu uma série de problemas e tomamos a decisão de refazer o edital", explica o diretor.

Quando da rescisão do contrato, somente o projeto arquitetônico havia sido concluído. Faltam projetos complementares, como o estrutural, o elétrico, de água e de luz. O projeto funcional, que determina o planejamento das linhas, foi concluído pela prefeitura. "A grande dificuldade é que tem direito autoral, então, sem o consentimento deles, não podemos utilizar o projeto arquitetônico", revela.

Uma vez que os recursos, cerca de R$ 250 milhões, estão garantidos via Caixa Econômica Federal, Cappellari espera que o prefeito eleito não desista do BRT. "Ele tem autonomia para isso, mas o que é preciso fazer agora é a execução, porque a verba está disponível", afirma. O diretor considera que o atraso na entrega das obras não prejudica os cidadãos. "A infraestrutura já foi executada. A questão dos terminais não tem impacto, são obras de engenharia isoladas da via pública. Resolvendo o problema dos terminais, a cidade está pronta para receber os BRTs."

Os terminais de integração entre o sistema atual e as novas linhas ficariam nas avenidas Protásio Alves com Manoel Elias (terminal Manoel Elias), Bento Gonçalves com Antônio de Carvalho, Icaraí com a Tronco, Voluntários da Pátria (Estação São Pedro) e no corredor da João Pessoa (Terminal Azenha). As intervenções começaram em 2012 e a previsão inicial de entrega era para 2014.

Lei que regulamenta o Uber em Porto Alegre é sancionada

O projeto de lei que regulamenta o transporte individual privado na Capital, sancionado pelo prefeito José Fortunati na sexta-feira, será publicado hoje no Diário Oficial de Porto Alegre. A partir da lei, os motoristas de aplicativos como Uber, Cabify e WillGo precisarão possuir veículos com placas de Porto Alegre e pagar uma taxa mensal de R$ 73,00. Além disso, as empresas serão obrigadas a repassar informações a respeito dos dados dos motoristas cadastrados e dos itinerários.

O artigo que determinava uma porcentagem mínima de veículos dirigidos por mulheres foi vetado, uma vez que, como o serviço por aplicativo não prevê número mínimo ou máximo de carros circulantes, a exigência se tornava inócua. "É diferente do táxi, que tem um número estabelecido, de cerca de 4 mil veículos. Não tem como fiscalizar, hoje pode ter 100 carros, amanhã, 150", diz Fortunati. O projeto também prevê que o pagamento aos motoristas sejam apenas via cartão de crédito, algo que deve ser regulamentado agora. Segundo o prefeito, há um prazo de 30 dias para que a lei seja regulamentada.

O diretor financeiro da Associação dos Taxistas de Porto Alegre (Aspertaxi), Antônio Carlos Pereira, afirmou que a categoria está de acordo com a regulamentação. "Só espero que as empresas a cumpram e que os motoristas nos ajudem a tirar os carros clandestinos das ruas. A população tem o direito de escolher, mas o que mata o serviço é o ilegal", lamenta. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Porto Alegre inaugura corredor de ônibus na Av. Bento Gonçalves

28/07/2016 - Zero Hora

Com a conclusão, toda a extensão da via está livre para o trânsito

O trânsito no trecho que ainda estava em obras do corredor de ônibus da Avenida Bento Gonçalves - entre as ruas Paulino Azurenha e Guedes da Luz - foi liberado na manhã desta quinta-feira. Depois de quatro anos, os trabalhos de pavimentação com placas de concreto, barreiras de proteção tipo New Jersey, sinalização e colocação de basalto no piso das estações de ônibus estão finalizados nos 680 metros que ainda estavam bloqueados. Com a conclusão, os sete quilômetros da via estão liberados para o tráfego.

As obras na avenida estavam previstas para terminar antes mesmo do início da Copa do Mundo de 2014, mas o faz e refaz de diversos trechos de concreto acabou atrasando o processo. Foi necessário substituir o asfalto para dar mais durabilidade ao piso para a passagem dos ônibus.

"Demorou muito! Eu acompanhei as obras, quando foi feito a primeira vez. Aí depois desmancharam tudo, fizeram tudo de novo", comenta a aposentada Haydée Spetino, 68 anos, que visita a irmã frequentemente em Viamão e pega o ônibus na Bento Gonçalves.

Segundo o diretor-presidente da EPTC, Vanderlei Cappellari, todas as placas de concreto eram avaliadas e analisadas e várias delas tiveram que ser refeitas porque a mistura do material não foi a exigida na licitação.

De acordo com a EPTC, o trânsito ficará melhor para os passageiros de ônibus, pois as linhas de transporte coletivo não terão interferência junto ao tráfego de veículos particulares, como estava acontecendo durante as obras.

O trecho de 680 metros  foi liberado na manhã desta quinta-feira. Foto: Reprodução

Pelo corredor de ônibus circulam mais de 101 mil passageiros por dia, que utilizam 34 linhas urbanas, totalizando 2.250 viagens realizadas. No local, também trafegam linhas de ônibus metropolitanas.

O investimento para a troca de pavimentação em todo o trecho foi de R$ 14 milhões. O serviço foi executado pelo consórcio vencedor da licitação, formado pelas empresas Sultepa e Conpasul.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Corredores BRT de Porto Alegre se distanciam da proposta original

Corredores BRT de Porto Alegre se distanciam da proposta original

10/05/2016  - Zero Hora - RS

Em 11 de março de 2013, ZH destacava, em sua versão online: "Corredores BRT irão transformar o trânsito de Porto Alegre". Cinco anos após o anúncio do sistema de trânsito rápido para o transporte público, a previsão se concretizou – mas não da maneira que se esperava. As obras do BRT (transporte rápido de ônibus), todas ainda inconclusas, apesar de terem sido prometidas para a Copa do Mundo de 2014, realmente mudaram o trânsito da Capital. Para pior.

No estado atual, os trabalhos complicam o trânsito, deixam corredores em obras vazios, obrigando os ônibus a disputar espaço com outros veículos, e dificultam a vida dos passageiros, que já se acostumaram com a lentidão e os constantes desvios de rota.

A expectativa para este ano – o terceiro de obras tão somente de pavimentação do BRT – era de que, finalmente, o asfalto fosse substituído pelo concreto em todos os corredores a serem cruzados pelo sistema, garantindo maior durabilidade para a pista e evitando a trepidação dos veículos. Mas nem isso agora está garantido: com a dificuldade financeira enfrentada pela construtora Brasília Guaíba, o corredor da Avenida João Pessoa precisará passar por nova licitação. O edital deve ser publicado apenas no próximo semestre.

Nos demais corredores, os ônibus poderão voltar a circular ainda neste semestre, mas nenhum ainda está adequado à nova proposta. Por enquanto, nada de embarque rápido, ultrapassagem, veículos maiores, bilhetagem eletrônica, informatização de horários: o início da "operação BRT" em Porto Alegre será apenas em corredores com novo piso.

– Esta primeira fase é a mais traumática. Houve uma série de imprevistos que impediram que o cronograma fosse seguido. Mas o benefício vem a longo prazo, quando as obras forem finalizadas – afirma o secretário municipal de Gestão, Urbano Schmitt.

O problema é que o conceito de Bus Rapid Transit inclui muito mais do que corredores de concreto. Estão previstas ainda melhor infraestrutura e sistemas inteligentes (bilhetagem eletrônica, monitoramento de veículos, controle e informação ao usuário). Mas, por enquanto, sequer a primeira fase da etapa inicial está pronta.

A Secretaria de Gestão, responsável pelas obras da Copa, prefere agora nem estimar quando todo o sistema estará funcionando. Seguiram-se anos sem que o sistema, alardeado como a solução para a confusão no transporte público, conseguisse passar o primeiro sinal verde.

Somada aos atrasos, essa implementação adaptada acaba minando a confiança de estudiosos do assunto e da população em geral na eficácia do sistema em Porto Alegre – a que o especialista em transportes João Fortini Albano, pelas peculiaridades do caso gaúcho, dá o apelido de "BRTchê".

– Estamos retrocedendo em relação àquilo que é o BRT. Não estamos usando veículos maiores, permitindo ultrapassagens, nada do que o modelo clássico prevê. Não é só corredor, isso nós já tínhamos. Parece que Porto Alegre poderia atingir um nível 2, mas prefere para sempre ficar no 1 – pondera o professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Revisão prevê menos "sofisticação"

Terminadas as obras de pavimentação, os próximos passos incluem a instalação de novas paradas de ônibus, a criação de terminais integrados e a adaptação do sistema viário para que as linhas de ônibus atuais passem a alimentar o sistema BRT, que deverá assumir boa parte das viagens na Capital. A bilhetagem eletrônica, com o objetivo de diminuir o tempo que leva cada embarque e desembarque, também está prevista.

Cada passo, porém, depende de novas licitações, e ninguém se arrisca a prever quando o sistema completo deve ser entregue à população. Ainda assim, nem tudo será entregue nos mesmos padrões que se previa. Consideradas "sofisticadas" pelo prefeito José Fortunati, as estações fechadas, repletas de tecnologia e com venda interna de passagens vão ficando de lado após constantes revisões feitas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC).

– O conceito geral permanece, mas estamos propondo alterações na arquitetura que são mais racionais. É como construir uma casa: você pode usar materiais caros, e gastar muito com isso, ou usar alternativas mais baratas para que a funcionalidade permaneça, mas saia mais em conta – afirma o engenheiro da EPTC e coordenador do projeto, Luís Cláudio Ribeiro.

Também os terminais com grandes espaços abertos para a circulação de pessoas e veículos vão perdendo apoio em troca de estruturas mais simples, bastante semelhantes aos terminais atuais – mudanças que, garante a EPTC, são mais racionais em relação ao orçamento disponível e ao uso do dinheiro público.

BRT AVENIDA JOÃO PESSOA
• Extensão: 3,2km
• Total investido: R$ 2,5 milhões
• Início: setembro de 2012
• Passageiros: capacidade de 120 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 5
• Situação: 60% da pavimentação concluída

BRT AVENIDA PROTÁSIO ALVES
• Extensão: 7km
• Total investido: R$ 18 milhões
• Passageiros: capacidade de 109 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 14
• Situação: 100% da pavimentação concluída

BRT AVENIDA BENTO GONÇALVES
• Extensão: 6,8km
• Total investido: R$ 13 milhões
• Início: março de 2012
• Passageiros: capacidade de 114 mil usuários/dia em cada sentido
• Estações: 14
• Situação: 99,5% da pavimentação concluída

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Novo sistema de transportes de Porto Alegre entra em vigor na segunda-feira com tarifa de R$ 3,75

20/02/2016 - Blog Ponto de Ônibus 

ADAMO BAZANI

Entra em operação a partir desta segunda feira, dia 22 de fevereiro de 2016, o novo sistema de transportes coletivos de Porto Alegre, quando também a tarifa municipal passa para R$ 3,75. O valor das passagens dos micro-ônibus lotações vai para R$ 5,60.

Na manhã desta sexta-feira, 19 de fevereiro, o prefeito José Fortunati participou de Cerimônia de apresentação dos ônibus novos: serão 296 veículos zero quilômetro que vão circular na cidade.

Do total, 238 ônibus são encarroçados pela Marcopolo com chassis Volvo, Mercedes-Benz e MAN/Volkswagen. De acordo com a Volkswagen, 64 unidades do modelo 17.230 contam suspensão pneumática integral. Há veículos de carrocerias Comil e Neobus.

Todos os ônibus apresentados nesta sexta-feira são dotados de equipamento de ar-condicionado. Com a entrada em circulação destes veículos, a frota com refrigeração passa a ser de 37% do total de 1715 ônibus municipais.

Vão ser colocados em operação num período de três anos mais 72 veículos.

No entanto, o total de ônibus climatizados hoje não é distribuído uniformemente na cidade.

A meta imposta pela licitação dos transportes que definiu o novo modelo é de 25% da frota de cada consórcio com o equipamento. Em até 10 anos, a expectativa é de 100% dos ônibus com refrigeração.

Também deve aumentar a quantidade de ônibus articulados, passando dos 130 veículos atualmente para 175, o que representa um acréscimo de 35%.

Foi reduzida a tolerância de lotação de seis pessoas por metro quadrado para quatro pessoas. Este cálculo resultou na obrigação da ampliação da frota.

Os contratos de operação são por vinte anos com os consórcios vencedores.

Os serviços terão três bacias operacionais, além das linhas transversais operadas pela Carris, que é a empresa pública da cidade.

A Carris perde cinco linhas e ganha três, para que assuma apenas as linhas de característica transversal ou circular. No entanto, como estas três linhas têm mais passageiros, a participação da Carris sobe de 22,07% para 22,53%.

Para vencerem a licitação, as doze empresas que já operavam em Porto Alegre se dividiram em consórcios. Apenas a Stdatbus, de Santa Cruz, que não prestava serviços na capital, foi desclassificada.

A pintura dos ônibus tem um novo padrão visual cuja cor varia de acordo com a região atendida.

LOTES, CONSÓRCIOS E BACIAS:  Bacias operacionais em Porto Alegre



Bacia Norte/Nordeste– Lotes 1 e 2: Consórcio Mob Mobilidade de Transportes formado pelas empresas Sopal, Nortran e Navegantes – cor Azul

Bacia Sul – Lotes 3 e 4: Consórcio Viva Sul formado pelas empresas Trevo, VTC, Belém Novo e Restinga – cor Vermelha

Bacia Leste Sudeste

Lote 5 – Consórcio Via Leste formado pelas empresas VAP, Estoril e Presidente Vargas – cor Verde

Lote 6 – Consórcio MAIS – Mobilidade da Área Integrada Sudeste formada pelas empresas Gazometro e Sudeste – cor Verde

Linhas Circulares e Transversais: Empresa pública de Porto Alegre Carris – cor Ocre.

NOVAS LINHAS:

Também quatro novas linhas de ônibus: a T12 – Restinga Cairú, T12A – Restinga PUC, T12.1 – Pitinga/Cairú e T13 – Triângulo/PUC. As linhas T12 e suas derivadas serão operadas pela Carris e substituirão os prefixos 314 – Restinga PUC (e suas extensões), que interligam a região da Restinga, Lomba do Pinheiro à Pontífice Universidade Católica (PUC) e a Terceira Perimetral. Já a T13 substituirá a Triângulo / 24 de outubro / PUC, circulando nas zonas Norte e Leste da cidade.

TIMES DE FUTEBOL ALTERARAM CORES:

Quase três meses após o anúncio dos resultados da licitação e da nova padronização visual dos transportes de Porto Alegre, foram alteradas as cores de dois consórcios justamente por causa de times de futebol.

Os ônibus que vão circular na zona norte de Porto Alegre são de cor azul. Na região, fica a Arena do Grêmio, que tem o azul como cor principal.

Já os ônibus que vão servir a zona sul serão de cor vermelha. Na área fica o estádio Beira Rio, do Internacional, time com a cor predominante vermelho.

Quando foi lançada a padronização, depois do resultado da licitação, na zona norte circulariam ônibus vermelhos e na zona sul, azuis.

Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes