quinta-feira, 16 de abril de 2015

Reconstrução nos corredores do BRT em Porto Alegre atrasa obras

15/04/2015 - Zero Hora - Porto Alegre

As obras nos corredores do futuro sistema BRT (bus rapid transit) de Porto Alegre têm espantado moradores e motoristas que passam pelos locais e percebem que elas quase não avançam. A percepção é certeira. No caso do corredor da Avenida João Pessoa, a obra andou para trás: os 60% dos trabalhos concluídos em dezembro do ano passado passaram para 55% nesta terça-feira, conforme dados da prefeitura.

O corredor da Avenida Bento Gonçalves permanece em 98% desde o final do ano passado, enquanto o da Avenida Protásio Alves foi o único que evoluiu nos últimos quatro meses, ainda que tímidos cinco pontos percentuais, de 92% para 97%. O resultado é que os prazos para entregar as obras foram esticados. Os corredores da Bento e da Protásio, previstos para março deste ano, ficaram para a primeira quinzena de junho. Já o da João Pessoa só deverá ser entregue em dezembro — a previsão anterior era julho.

A causa do atraso é a necessidade de reconstruir diversos trechos do concreto para substituir o asfalto e dar mais durabilidade ao piso para a passagem dos ônibus. Só que de durável o material não teve nada. Sem que nenhum ônibus passasse, já rachou em alguns trechos.

Para o concreto dos corredores de ônibus ter a resistência devida, é preciso de muita hidratação e uma longa secagem, que pode chegar a 28 dias. Não foi o que ocorreu nos três corredores em obras na Capital. O concreto foi colocado durante o verão, que foi muito quente, facilitando a rápida evaporação da água.

Mesmo com o atraso, a prefeitura não vê motivo para multar as empresas, segundo o coordenador técnico das obras de mobilidade da Secretaria Municipal de Gestão, Rogério Baú. No início deste ano, o prefeito José Fortunati havia dito, em entrevista exclusiva a ZH, que as empreiteiras tinham sido multadas. Baú também garantiu que nenhum trecho está sendo refeito mais de uma vez e reforçou que todos os custos têm sido pagos pela própria empreiteira.

— A multa é gerada quando há uma exigência de refazer e a empresa se nega. Mas a ordem foi prontamente atendida — disse.

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) informou que tem acompanhado o caso.

O faz e refaz do concreto dos corredores do BRT não é o único entrave ao andamento das obras. As estações e terminais que receberão os passageiros dependem de um estudo de demanda não só dos ônibus, mas também do metrô, por causa da integração entre os modelos de transporte.

Já se sabe que o metrô não será inaugurado antes de 2020. Mas Baú espera que antes disso os dados já estarão disponíveis. Mesmo que essa primeira fase do metrô contemple basicamente a Zona Norte, sua influência chega até as vias do BRT em construção porque os ônibus alimentarão a rede integrada, justifica Baú.

Confira os prazos atualizados das obras:

1) BRT Bento Gonçalves

Trecho: Avenidas Antonio de Carvalho e Princesa Isabel.

Comprimento: 5.955 metros.

Largura: duas faixas de 3,50 metros (corredor de ônibus).

Investimento: R$ 13.976.983,83.

Início: 14 de Março de 2012.

Previsão inicial de conclusão: 18 meses.

Segunda previsão de conclusão: Março de 2015.

Previsão com a reconstrução de trechos do concreto: Primeira quinzena de junho.

Empreiteira: Consórcio Contepa (Conpasul e Sultepa).

Percentual atual de execução da obra: 98%.

 

2) BRT Protásio Alves

Trecho: Rua Saturnino de Brito até a Rua Sarmento Leite.

Comprimento: 6.850 metros.

Largura: duas faixas de 3,50 metros (corredor de ônibus).

Investimento: R$ 15.240.010,67.

Início: 12 de Março de 2012.

Previsão inicial de conclusão: 18 meses.

Segunda previsão de conclusão: Março de 2015.

Previsão com a reconstrução de trechos do concreto: Primeira quinzena de junho.

Empreiteira: Consórcio Contepa (Conpasul e Sultepa).

Percentual atual de execução da obra: 97%.

 

3) BRT João Pessoa

Trecho: Entre a Avenida Bento Gonçalves e a Rua Desembargador André da Rocha.

Comprimento: 3.346 metros.

Largura: duas faixas de 3,50 metros (corredor de ônibus).

Investimento: R$ 5.310.565,27.

Início: 28 de Setembro de 2012.

Previsão inicial de conclusão: 12 meses.

Segunda previsão de conclusão: Julho de 2015.

Previsão com a reconstrução de trechos do concreto: Dezembro de 2015.

Empreiteira: Consórcio Giovanella e Construtora Brasília-Guaíba.

Percentual atual de execução da obra: 55%.

Novo edital do transporte de Porto Alegre prevê mais lotes na tentativa de atrair mais empresas

16/04/2015 -Zero Hora - Porto Alegre

Com forte esquema de segurança para evitar novo tumulto, a prefeitura promoveu, na noite desta quarta-feira, a terceira audiência pública para apresentar o terceiro edital para a licitação de concessão do serviço do transporte coletivo em Porto Alegre. A principal novidade é a divisão das linhas em mais lotes: seis, ao invés dos atuais três, numa tentativa de atrair mais empresas e, finalmente, conseguir concluir a licitação de forma vitoriosa.

— Fizemos um grande estudo a partir do segundo edital. Queríamos dividir ao máximo as áreas, mas chegamos à conclusão que, quanto mais dividíssemos, mais aumentaríamos os custos. Com seis lotes, chegamos num bom meio termo — explica o diretor-presidente da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Vanderlei Cappellari.

Com publicação prevista para o dia 6 de maio, o edital vai oferecer seis lotes em três bacias diferentes — a quarta bacia é a da Carris, que não entra em disputa. Cada empresa ou consórcio pode concorrer a no máximo dois lotes, desde que pertençam à mesma bacia. Ou seja, serão no mínimo três e no máximo seis vencedores. Caso um ou mais lotes não tenham interessados, Cappellari admite que a Carris poderá assumi-los.

As últimas duas licitações permaneceram totalmente desertas, ou seja, sem nenhum interessado. Dessa vez, o diretor-presidente da EPTC sugere que não haverá nova tentativa de licitar o transporte.

— Vai ser muito difícil o governo abrir um novo edital. Não podemos ficar abrindo editais indefinitivamente. Já são dois anos sem investimento nos ônibus, e já estamos indo para o terceiro sem qualificar a frota e o transporte como um todo — afirmou Cappellari.

Como alternativa, ele comentou que a prefeitura poderia intervir no sistema e assumir, de forma gradativa, ressarcindo as atuais empresas, todo o transporte coletivo da Capital.

Menos participantes

A Brigada Militar calculou que 150 pessoas participaram da audiência, sendo que 12 se inscreveram para falar ao microfone. Na última audiência, que acabou sendo encerrada mais cedo por conta de um tumulto, 617 pessoas haviam se cadastrado.

Uma das justificativas, conforme a organização da audiência, é o dia de paralisações e a chuva. Por conta do primeiro motivo, a prefeitura atrasou em 30 minutos o início do evento, mas disse que não poderia remarcar, porque estava previsto em edital.

Dos 12 que se manifestaram durante a noite, 10 mencionaram a cota de ar-condicionado da frota. Todos pediram que o edital previsse 100% dos ônibus com o equipamento imediatamente — conforme previa o projeto aprovado pela Câmara, mas ao qual o prefeito entrou com recurso e foi atendido pela Justiça.

A medida ainda poderia ser incluída no edital, assim como as demais sugestões dadas pelos moradores, mas a tendência é que siga como o modelo apresentado nesta noite: cada empresa deve ter 25% da frota com ar-condicionado e ir ampliando a cota de forma gradativa, até chegar à totalidade em 10 anos. A justificativa da EPTC é que modificar toda a frota de imediato (pois não é possível adaptar os atuais ônibus para o ar-condicionado) iria encarecer a passagem.

Outra característica que permaneceu idêntica ao último edital é que as empresas vencedoras serão responsáveis pelos futuros BRTs. Mais tarde, deverão assumir o metrô e a integração com o transporte da Região Metropolitana.